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19-Jul-2007

 

Galeria dos Maestros

Contava o maestro Manuel da Silva Dionísio que, certa vez, o Bispo de Lamego teria comentado: “se quiserdes castigar um homem, fazei-o mestre de uma filarmónica”. Embora exagerada, esta diatribe pretende caracterizar uma das facetas de ser regente de uma Banda de Música civil e amadora. Com efeito, não é tarefa fácil dirigir um grupo de pessoas, cada uma com as suas indissiocracias, muitas vezes cansadas e com problemas pessoais: é preciso muita paciência e algum conhecimento de psicologia. Todavia o trabalho do mestre de uma filarmónica tem também o seu lado bom, bastando para isso pensar-se nos aplausos que o premeiam, quando uma obra musical é correctamente apresentada ao público.

A Banda dos Loureiros foi, desde a sua fundação, dirigida por pessoas qualificadas as quais, com o seu esforço, paciência e dedicação ajudaram a construir gloriosamente a nossa Sociedade.

Tudo começou com José Cipriano Arronches. A sua vinda a Palmela, com a banda “Voluntários da Guarda Nacional” de Setúbal, cativou de tal forma as simpatias dos palmelenses que estes o convidaram a formar e a dirigir uma filarmónica na nossa terra. Aceite o convite, foi fundada a Sociedade Filarmónica Palmelense, numa reunião a que o próprio Cipriano Arronches presidiu. A acção inicial de mestre Arronches foi deveras notável pois que sete meses após o início da aprendizagem das técnicas musicais e instrumentais a banda fez a sua primeira apresentação.

Doze anos depois - em 1864 - a maioria dos elementos da banda mostrou-se contrária à continuação de mestre Arronches à frente da banda, por motivos que diziam respeito às despesas que a Sociedade suportava com as suas deslocações (de Setúbal para Palmela) incluindo o alojamento e a alimentação. Essa maioria desejava substituir mestre Arronches por José Ferreira Sardinha, um elemento da banda considerado como tendo as habilitações convenientes. O Presidente da Direcção, o Dr. António Carlos dos Santos, mostrando ser pessoa de carácter, não aceitou o que a tal maioria desejava, alegando que Mestre Arronches tinha sido um dos fundadores, devendo-lhe a Sociedade tudo o que era. Em consequência, alguns elementos saíram da Sociedade e, em 8 de Outubro de 1864, fundaram, com a participação do Ferreira Sardinha, a Sociedade Filarmónica Humanitária Independente. Sublinha-se que o mestre José Cipriano Arronches é o autor do Hino da Sociedade Filarmónica Palmelense actualmente executado, embora numa versão revista por outro maestro de quem se falará mais adiante.

José Ferreira Sardinha

As relações entre o mestre Sardinha e o Presidente da nova Sociedade, o Senhor Francisco José Pardelha, que tinha sido um dos fundadores da Filarmónica Palmelense, começaram, porém, a azedar-se, pelo que aquele saiu e juntou-se à sua antiga Sociedade, já então conhecida como “Loureiros” e, em 1867, a banda recomeçou a sua actividade. Refere o Senhor Manuel Joaquim da Costa, na “História das Músicas em Palmela” de onde estas informações são tiradas, que o mestre José Ferreira Sardinha fez bom trabalho, inclusive como compositor. Em 1880 retirou-se para Condeixa, tendo ficado no seu lugar o seu contramestre, Francisco Baptista Pacheco.

Seguiu-se, a partir de 7 de Outubro de 1885, o Senhor Francisco Pedro Fernando de quem o autor atrás citado escreveu: “a sua passagem como director da filarmónica marcou a época musical mais excepcional que Palmela teve”; afirmou-se, então, que com o mestre Fernando é que se começou a tocar música no rigoroso sentido da palavra. Remete-se para a mencionada "História das Músicas em Palmela" os largos elogios que o mestre Fernando mereceu.

O senhor Fernando saiu da Sociedade em 1892, por ter recebido uma “proposta irrecusável” para dirigir uma banda em Faro.

Para o substituir foi escolhido o Senhor Moniz, de Setúbal, a quem sucederam outros maestros não menos hábeis, como o “benquisto Valério”, o “activo Nicolau”, o “risonho Caetano Nunes Pereira”, o “bonacheirão Pimentel”, o “incansável Casal”, e o “benévolo Patinha” que era quem em 1917 dirigia a banda. Anota-se que a adjectivação é da autoria do Senhor Manuel Joaquim da Costa.

Manuel Sequeira

Sem qualquer documentação de suporte, a lista dos maestros de 1917 a 1935 é reconstituída pela memória colectiva dos Loureiros. Assim, seguem-se os Senhores Barreto, Chardonnet e Manuel Sequeira, referindo-se que este último maestro cativou de tal maneira a família Loureira que foi dado o seu nome a uma criança nascida em 1924, o Manuel Sequeira (da Costa Paula).

Eusébio de Carvalho, grande clarinetista da Banda da G.N.R. e da Orquestra Sinfónica Nacional, foi o maestro seguinte. Também a simpatia de que desfrutava na Sociedade fez com que tivesse sido baptizada com o nome de um dos seus netos (que veio a ser grande médico oncologista, nos Estados Unidos da América), uma criança nascida em 1931, o Sérgio Ferreira, outra das figuras importantes dos Loureiros. Como compositor, Eusébio de Carvalho deixou-nos algumas marchas de inegável valor, como “Sérgio” e “Luís de Camões".

 

José da Silva Marques

Seguiu-se José da Silva Marques, excelente executante de trompa na Banda da G.N.R. e também grande compositor de música para banda. As suas composições primam pela qualidade melódica derivada da recriação da música popular portuguesa. Divertissement, Serranesca, Rapsódia Ribeirinha, Rapsódia Portuguesa, Rosário de Fados, Capricho Varino, Madrigalesca, Monserrate, Panorama Lusíada e algumas marchas, com especial relevo para “Cadetes do Diabo” e “Forcados de Alhandra”, são exemplos de repertório da autoria de Silva Marques que, ao longo dos tempos, a Banda dos Loureiros executou. É conhecida uma fotografia deste Maestro com a Banda, tirada nas arcadas dos Paços do Concelho, datada de 1931, imediatamente a seguir à sua nomeação como maestro da Banda.

Sabendo-se que em 1935 o Maestro era Francisco Vila Nova e que, depois de Silva Marques, a Banda teve como regentes os Senhores Alves Ribeiro e António Pereira, infere-se que a duração média destes à frente da Banda terá sido relativamente curta. Deve-se, porém, dizer que o Senhor Pereira deixou no arquivo musical da Sociedade um importante número de boas peças, transcritas de obras de grandes autores.

Poder-se-á dizer que a “era moderna” da Banda dos Loureiros começou com Francisco Vila Nova. Chefe de banda militar, o tenente Vila Nova era um disciplinador! Graças à sua acção durante os nove anos que esteve nos Loureiros, conseguiu elevar a Banda a um alto nível artístico. É curioso referir que, em 1936, a Direcção da Sociedade convidou os sócios a assistirem a um concerto (no dia 5 de Abril) para que pudessem verificar os progressos da Banda, resultantes dos esforços do seu regente.

Francisco Vila Nova

Além de mestre da Banda, Vila Nova dirigiu também as orquestras que actuaram nas revistas “Salada de Frutas”, “O que é bom é p’ra se ver” e “De Vento em Popa”, de que foi autor de algumas músicas. Como compositor, além de algumas marchas, deixou no Arquivo Musical da Sociedade a suite Cenas Rústicas.

Grande clarinetista da Banda da G.N.R. e da Orquestra Sinfónica Nacional, Carlos Saraiva foi o sucessor de Vila Nova. Embora não tivesse estado muito tempo na Sociedade (de 1943 a 1945), a sua obra foi notável, quer com a Banda quer no campo da música ligeira. Nesta área foi um dos autores da música da “Festa das Colheitas”, tendo dirigido, ainda, a respectiva orquestra. Em homenagem ao então presidente da Direcção dos Loureiros, Senhor António Cardoso Maçarico, deixou-nos a marcha Maçarico. Saindo dos Loureiros por razões que tiveram que ver com a sua intensa actividade de clarinetista, de Carlos Saraiva restou-nos a amizade que sempre manteve para com os Loureiros que, em 1960, lhe prestou uma significativa homenagem, tendo-lhe oferecido uma placa comemorativa da sua passagem pela Sociedade. Para o substituir temporariamente, com a finalidade de preparar a Banda para a tradicional exibição na Igreja no dia de Ano Novo, veio Carlos Soares de Oliveira que realizou excelente trabalho, ensaiando a selecção da ópera “Boris Godunov”, peça com que a Banda acompanhou a missa no dia 1 de Janeiro de 1946. Não podendo continuar, a Banda ficou temporariamente sem maestro, tendo ocorrido um período durante o qual foram experimentados alguns maestros que, pelos vistos, não agradaram.

No verão de l946 chegou, então, Eduardo Gomes, trompetista da Banda da G.N.R.. Deu-se também o caso de a sua qualidade de instrumentista o levar a ser convidado para integrar a Orquestra de Ópera do Coliseu, o que, em 1947, o impediu de continuar nos Loureiros. Como compositor, deixou-nos duas excelentes marchas Belita e Alvarito.

Durante algum tempo a Banda esteve sem Maestro. Em desespero de causa, o Presidente da Direcção, Senhor António Cardoso Maçarico, abordou o Maestro Manuel da Silva Dionísio, então o regente da Banda da Sociedade Humanitária e chefe adjunto da Banda da G.N.R., solicitando-lhe a indicação de alguém que pudesse servir os Loureiros. A ajuda de Mestre Dionísio não poderia ter sido mais acertada. Com efeito, a pessoa escolhida foi um talentoso músico da Banda da G.N.R. chamado Joaquim Luís Gomes.

Joaquim Luís Gomes

O maestro Joaquim Luis Gomes nasceu em Santarém, onde iniciou os seus estudos musicais na Banda dos Bombeiros Voluntários daquela cidade ribatejana. Frequentou o Conservatório Nacional de Música de Lisboa, onde se diplomou, com brilho, nas disciplinas de clarinete, harpa (em que foi discípulo da grande harpista Cecília Borba), ciências musicais e composição. Ingressou na Banda da G.N.R. como clarinetista e solista de harpa. A sua actividade criadora viria, porém, a sobrepor-se a todas as restantes, dedicando-se inteiramente à composição, em que se distinguiu nos mais variados géneros.

Na música ligeira, a que deu notável impulso, quer na forma quer nas orquestrações, foi director da Orquestra do programa “Canções de Portugal”, na ex-Emissora Nacional, onde produziu e realizou programas inteiramente preenchidos com composições suas, dirigindo também a orquestra de concerto, a orquestra ligeira e a orquestra típica daquela estação emissora. Internacionalmente, ganhou primeiros prémios em Itália (Festival da Canção Latina, em 1955) e em Espanha (Festival da Canção do Douro, em 1970). Em Portugal foi-lhe atribuído o 2º. prémio no Concurso Nacional de Canções da TV, em 1983. A sua produção inclui ainda obras para o teatro, para o cinema e para televisão.

Anota-se que algumas das canções escritas para a rádio foram cantadas em estreia absoluta, nas festas da Sociedade, por elementos do nosso Grupo Cénico, e só depois é que foram apresentadas pelos artistas da rádio…

Como chefe de orquestra, o Maestro Joaquim Luis Gomes dirigiu em Inglaterra, Espanha e Brasil.

Na área da música de câmara, compôs uma sonata para piano, um “Prelúdio concertante” para harpa e a “Suite infantil” para orquestra de cordas.

Na área da música orquestral, escreveu obras de grande qualidade para orquestra sinfónica ou banda, as quais atestam a sua fina inspiração e o seu conhecimento do “métier”. Abidis, Poema Ribatejano, Abertura Scalabitana, Pérolas Soltas, Tríptico para Bailado, Mar Português, (narrativa sinfónica baseada no poema “Mensagem”, de Fernando Pessoa) são algumas das suas obras sinfónicas. Para banda deve-se-lhe a Primeira Fantasia Popular Portuguesa, Rapsódia em Fado, Motivos Portugueses, (para coro e banda), duas Sinfonias, Rapsódia em Canção (obra ainda inédita, dedicada à Banda dos Loureiros), e, por encomenda da EDP para a 3ª. Fase do Festival EDP de Bandas de Música, (de que o nosso associado e membro da Banda dos Loureiros, Dr. Humberto da Costa Biu, quadro superior daquela empresa, foi o organizador, realizado em 1986), Rondó Campestre, Memória Rústica e Retrato Urbano.

Tendo passado à reforma antes do 25 de Abril, foi, depois desta data, readmitido por mérito artístico na Banda da G.N.R., ocupando o lugar de compositor residente.

Nos Loureiros permaneceu de 1948 a 1958.

A obra realizada pelo Maestro Joaquim Luis Gomes na nossa Sociedade foi, deveras, importante. Assim, após um período de observação das capacidades individuais dos elementos da Banda, procedeu a algumas modificações que permitiram melhor aproveitamento dos seus músicos. O seu meticuloso trabalho de ensaio conduziu a Banda a elevados níveis artísticos, que a criteriosa escolha de repertório reforçou. Na verdade foi com este maestro que o repertório original para Banda começou a ter alguma relevância sem, todavia, terem sido postas de parte as obras clássicas, de grandes compositores, que faziam parte do repertório tradicional das bandas.

Curiosamente, foi só depois de ter deixado a nossa Sociedade que compôs obras que mais tarde a Banda executou, ressalvando-se que, logo no primeiro ano da sua estadia nos Loureiros, se tocou uma selecção da sua opereta Água de Palhais, que tinha sido representada em Santarém. Posteriormente, para substituição da sua marcha Galaico, compôs e dedicou à nossa Banda a Marcha Concertante, cuja qualidade não sofre contestação. A Primeira Fantasia Popular Portuguesa foi a peça escolhida pela Banda dos Loureiros para as provas do Certamen Internacional de Valência (Espanha).

No âmbito da música ligeira, a nossa Sociedade beneficiou também da arte de Joaquim Luís Gomes. Ainda em 1948 foi levada à cena uma revista “CT1DK”, com música da sua autoria, tendo o maestro também dirigido a orquestra.

Tendo grande actividade na rádio e na televisão e dirigindo em Lisboa a Banda da Carris, era previsível que, mais tarde ou mais cedo, o Maestro teria de abandonar os Loureiros. Fê-lo quando já não lhe era de todo possível continuar. Quantas vezes, em noites de ensaio, a banda esperava muito para além da hora do começo que o maestro chegasse para que se pudesse ensaiar alguma coisa… Partiu, pois, com grande pena de todos os Loureiros, visto que a todos tinha cativado, não só pela sua arte mas também pelas suas qualidades humanas. Resta-nos a memória do excelente trabalho que realizou e a sua amizade, mais de uma vez demonstrada.

Consciente de que não poderia continuar, foi o próprio Maestro Joaquim Luis Gomes que uma noite se apresentou num ensaio, trazendo consigo aquele que viria a ser o seu sucessor, o Senhor Joaquim Pinto.

Joaquim Pinto

Quando foi convidado para dirigir a Banda dos Loureiros, o Senhor Joaquim Pinto estava já há alguns anos fora da actividade musical. Todavia, o Maestro Joaquim Luís Gomes reconhecia no senhor Pinto, de quem tinha sido colega na Banda da GNR, capacidades artísticas que o qualificavam para ser o seu sucessor, afigurando-se-lhe ainda que seria vantajoso a Banda passar a ser dirigida por um músico que, não estando no activo, lhe daria melhores condições de estabilidade.

Tendo iniciado muito cedo os seus contactos com a música, Joaquim Pinto, aos 14 anos de idade, era 1º. Clarinete na prestigiada Banda Timbre Seixalense. Não admira , por isso, que o regente daquela banda o tivesse convencido a alistar-se na Banda do Regimento de Sapadores de Caminhos de Ferro, na qual ingressou com 15 anos. A sua promoção a furriel, quando tinha apenas 18 anos, levou-o a concorrer à Banda Militar de Évora, situando-se em 1º.lugar entre os 66 concorrentes que prestaram provas de admissão. Posteriormente transitou para a Banda da G.N.R., onde foi solista de clarinete.

O seu concerto de estreia nos Loureiros ocorreu em 18 de Maio de 1958 e, logo em Janeiro de 1959, aconteceu um evento inovador: um coro formado por músicos da Banda, acompanhado por pequeno conjunto instrumental, foi cantar a Missa, substituindo a Banda que tradicionalmente tocava uma peça durante a celebração. Este evento é descrito no episódio “Como da Banda se formou um coro para cantar a Missa”.

Em 1967 a Sociedade homenageou o Maestro Joaquim Pinto, descerrando o seu retrato no decorrer do concerto comemorativo do 115º Aniversário.

Durante os 16 anos que esteve à frente da Banda dos Loureiros, o Maestro Joaquim Pinto soube continuar a acção do seu antecessor, pois que, sendo artista de grande sensibilidade, conseguia, apesar dos sinais de decadência da Banda, realizar excelentes interpretações.

Por motivos de doença teve de nos deixar, no início de 1974. Assim, em 7 de Abril, no concerto em que o Maestro Joaquim Pinto fez a sua despedida, foi transmitida a José Eduardo da Encarnação Ferreira a responsabilidade de ser o Maestro da Banda dos Loureiros.

Tendo iniciado a sua aprendizagem de música na Sociedade Capricho Setubalense, cedo o José Eduardo Ferreira mostrou notáveis capacidades musicais e humanas, pelo que o Maestro Joaquim Pinto, também regente da Banda daquela congénere Setubalense, o convidou para ingressar na Banda dos Loureiros como primeiro clarinete. Em Junho de 1961 alistou-se voluntariamente no Batalhão de Caçadores 5, cuja Banda de Música integrou. Em Maio de 1964 ingressou na Banda da G.N.R. onde iniciou uma brilhante carreira, de que a promoção a Sargento-Ajudante músico, em Março de 1971, foi um dos seus marcos.

Entretanto estudou na Academia de Música Luisa Todi, em Setúbal, e no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, onde concluiu o curso superior de clarinete, composição e história da música.

Por ter passado a ser o Maestro da Banda, o “Zé Eduardo”, como familiarmente é chamado, teve de renunciar à regência do Grupo Coral, de que foi um dos fundadores.

Prosseguindo a sua carreira militar, e para se preparar para o concurso para chefe de banda, o Zé Eduardo suspendeu a sua actividade nos Loureiros, nos finais do ano de 1975. Concluídas as provas, foi promovido a Alferes, em 1976, tendo retomado as suas funções, na Sociedade, em Março desse ano. A sua promoção a Tenente, em 1977, teve como consequência a sua colocação na Banda Militar da Madeira, sediada no Funchal, onde também dirigiu a Orquestra de Câmara da Madeira. Nessa data a Sociedade prestou-lhe uma significativa homenagem, passando o seu retrato a figurar junto aos dos seus antecessores.

Temporariamente foi substituído pelo Capitão Joaquim Alves Amorim, ao tempo, Chefe da Banda da G.N.R..

Regressado ao Continente, foi novamente colocado na Banda da G.N.R. e, naturalmente, retomou as suas funções nos Loureiros.

Em Fevereiro de 1981, o Capitão José Eduardo Ferreira (promoção ocorrida em Março de 1980), quando se dirigia para o Seixal, onde era o regente da Sociedade Filarmónica União Seixalense, foi vítima de grave acidente de viação que o atirou vários meses para uma cama do Hospital Militar, onde sofreu várias operações. Novamente, foi substituído por Joaquim Alves Amorim.

Recomposto, foi colocado na Inspecção de Bandas e Fanfarras do Exército, prestando entretanto serviço na Banda da G.N.R., tendo, em Dezembro de 1984, transitado para Chefe da Banda da Região Militar Sul, sediada em Évora. Concluída esta comissão de serviço na cidade alentejana, regressou à Inspecção de Bandas e, finalmente, já como Major, em Janeiro de 1988, é colocado em Queluz como Director dos Cursos de Formação de Músicos e Chefes de Banda do Exército, função que desempenhou até Dezembro de 1992, data em que passou à situação de reformado.

José Eduardo Ferreira Além da Banda e do Grupo Coral dos Loureiros, o Maestro José Eduardo Ferreira dirigiu, também, as Bandas da Sociedade Previdência (Vila Fresca de Azeitão), da Sociedade Visconde de Alcácer (Alcácer do Sal), da Sociedade União Seixalense (Seixal) e da Sociedade Capricho Setubalense (Setúbal), tendo ainda exercido funções de professor de clarinete na Academia de Música Luisa Todi, em Setúbal.

Não se poderá dizer que a responsabilidade de dirigir a Banda dos Loureiros, que conhecia bem por ter sido seu membro, fosse tarefa fácil. Com efeito, a Banda encontrava-se numa situação degradada, que não favorecia quem tivesse a coragem de se por à sua frente a dirigi-la. Confiante nas suas capacidades e com o apoio de todos os seus amigos filarmónicos, o Zé Eduardo aceitou o desafio. Antes, já tinha dado mostras do seu carácter pessoal e do seu “Loureirismo” não aceitando, como clarinetista profissional, prestar serviços remunerados a outras bandas de música quando a Banda dos Loureiros tinha de actuar, embora desta não recebesse qualquer retribuição.

O gosto de servir incondicionalmente a Sociedade é uma das principais características do Zé Eduardo.

A sua primeira acção foi, em 1974, a de assegurar a sobrevivência da Banda.

Com esforço e dedicação, auxiliado por elementos da Banda, conseguiu aumentar os efectivos desta, não só com jovens de Palmela mas também com pessoas de Setúbal, que viam no ensino que era ministrado pelo Zé Eduardo uma forma de progresso e de qualidade.

A modernização da Banda, quer introduzindo novos timbres (flauta, oboé, fagote, clarinete-baixo, trompas de harmonia) quer melhorando o repertório, também é devida ao Zé Eduardo. Neste último aspecto, o nosso Maestro, mostrando-se muito bem apetrechado tecnicamente, transcreveu, fez arranjos e instrumentações, copiou e adaptou dezenas e dezenas de novos trechos musicais, enriquecendo qualitativa e quantitativamente o nosso arquivo musical. Sempre pronto a colaborar, o Zé Eduardo fez dezenas de orquestrações de músicas para espectáculos de variedades, de marchas das “Festas das Vindimas” etc..

Numa época muito marcada pela prevalência dos valores materiais, sublinha-se que, por tudo isto, o Zé Eduardo não recebeu um tostão pelo seu trabalho para além da sua magra remuneração como Maestro da Banda.

Os seus dotes de pedagogo contribuíram para que muitos dos membros da nossa Banda, e outros seus alunos que seguiram carreiras profissionais, tenham atingido lugares cimeiros no panorama musical do nosso País.

Como foi referido anteriormente, o Maestro José Eduardo Ferreira foi, por duas vezes substituído por Joaquim Alves Amorim. Em 1996, devido a doença súbita do seu maestro titular, a Banda dos Loureiros, no concerto da Festa das Vindimas, foi dirigida por Humberto Biu

Joaquim Alves Amorim Jacinto Montezo

O Tenente-Coronel Joaquim Alves Amorim, Chefe da Banda da G.N.R., por duas vezes dirigiu a Banda dos Loureiros. A sua passagem pela nossa Sociedade fica assinalada pelo alto nível das exibições da Banda. Anota-se que, num concerto no recinto das Festas das Vindimas, foi substituído pelo Maestro Jacinto Montezo que durante alguns anos tinha sido elemento da nossa Banda, aluno do Maestro José Eduardo Ferreira e um amigo da nossa Sociedade. Actualmente Jacinto Montezo dirige a Banda Sinfónica da Guarda Nacional Repúblicana com o posto de Tenente-coronel.

O Maestro José Eduardo Ferreira dirigiu a Banda de Música dos Loureiros até ao dia 25 de Outubro de 2006, data em que se assinalou o 154º Aniversário desta Colectividade com a realização de um Grandioso Concerto, e onde foi feita a passagem da “batuta” ao novo Maestro Pedro Rego.

Pedro Rego
Pedro Rego  Nasceu em Canelas – Estarreja, em 1975, onde iniciou os seus estudos musicais, aos 12 anos de idade, na Banda Bingre Canelense com o Maestro Fernando Raínho. Em 1991 ingressa no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian na classe de Saxofone do Professor Fernando Valente, onde integrou o Quarteto de Saxofones de Aveiro e a Big Band desta cidade. Frequentou os Cursos de Saxofone em Aveiro com o Quarteto de Saxofones de Amesterdão. Paralelamente participou também nos Workshop’s de Jazz em Aveiro com o Quarteto Carlos Martins e com o Contrabaixista Zé Eduardo.

Em 1995 frequentou o I Curso de Música de Câmara em Aveiro com o Professor Jaime Mota. Em 1996 ganhou o Prémio Fórum Musical – RTP da Classe de Saxofone do Conservatório de Musica de Aveiro. Em Lisboa frequentou a Escola de Jazz do Hot Club de Portugal e o VI Workshop de Jazz de Loures.Participou nos Seminários Desenvolvimento Musical para crianças e Psicologia da Música e Educação Musical com Edwin Gordon na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, e no Seminário Música e Movimento segundo a Orff-Schulwerk orientado pela Professora Verena Maschat na Escola Superior de Educação de Lisboa. Frequentou Mastercclasses de saxofone com os Professores Henk Van Twillert, Mário Marzi e Claude Delangle.

Como saxofonista, colaborou com diversas Bandas Filarmónicas da região norte do país. Integrou a Big Villas Band do Hot Club de Portugal, a Big Band Almada Cool e colaborou com a Orquestra Didáctica da Foco Musical.

Leciona  Formação Musical na Juventude Musical Portuguesa, onde exerce os cargos de Coordenador Pedagógico e Secretário Geral.  É Professor de Saxofone no Conservatório Regional de Setúbal desde 1998, onde criou o SetSax Quarteto. Lecciona a disciplina de Formação Musical na Juventude Musical Portuguesa, onde exerce os cargos de Coordenador Pedagógico e Secretário-geral. Foi convidado, em 2006 a leccionar a classe de Saxofone na Ourearte – Escola de Música e Artes de Ourém, onde orientou o 1º Estágio de Orquestra de Sopros de Ourém.  

Na área da Direcção Musical participou no XXVII Curso de Regência de Bandas Filarmónicas organizado pelo INATEL sob a orientação dos Maestros José Brito, Alberto Roque e René Castelain.  Em 2007 frequentou o II Masterclass de Direcção de Banda com o Maestro José Ignácio Petit e em Abril 2008 o II Curso Internacional de Direcção de Orquestra com os Maestros Robert Houlihan e Rodolfo Saglimbeni, em Coimbra. 

Recentemente deslocou-se a Valência para um Curso de Direcção de Banda com Félix Hauswirth, José Pascual Vilaplana e Jacob de Haan.

Dirigiu a Banda de Música da Sociedade Filarmónica Palmelense "Loureiros" de Outubro de 2006 a Abril de 2010.

 

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Pedro Ricardo Henriques Ferreira nasceu na Nazaré em 1978.

 

 

Iniciou os seus estudos musicais na Sociedade Filarmónica Maiorguense (Alcobaça), mais tarde ingressa na Escola de Música do Orfeão de Leiria e em 1998 finaliza a Escola Profissional de Música de Almada.

 

É Licenciado em clarinete pela Universidade de Évora.Estudou clarinete com os professores Luís Gomes, Rui Martins, Etiénne Lamaison e frequentou masterclasses com Walter Boeykens, Paul Meyer, Henri Bok, Karl Leister, entre outros. Em 1998 e 2000, integrou a Orchestre D’Harmonie des Jeunes de L’Union Europèene (CEE), bem como em 2002 a Orquestra Mundial de Sopros, onde trabalhou com maestros como: Jan Cober, Alfred Reed, Ray Cramer e Johann Moesenbichler.

Em 2002 ingressa nos quadros da Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, onde exerce a função de solista em clarinete. Tem integrado várias orquestras portuguesas, lecciona clarinete no Conservatório Regional de Coimbra e Academia de Música Óbidos. Frequentou Cursos de Direcção de Orquestra e Banda orientados pelos maestros Robert Houlihan, Baldur Bronnimann, Laurence Marks e compositor Eric Ewazen.

Foi maestro titular na Banda do Arrabal (Leiria), entre os anos de 2003/2008, reorganiza a Escola de Música e Banda dos Bombeiros de Póvoa de Santa Iria e é maestro do ensemble CamerArte.

Mestrado em Direcção de Orquestra de Sopros no Instituto Piaget de Almada, onde tem frequentado formações com os maestros Jean Sebastien Béreau, Mitchell Fennell, Jo Konjaerts e Felix Hauswirth, com estes, trabalhou e dirigiu a Orquestra de Sopros do Conservatório Nacional de Lisboa, Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública e Banda Sinfónica do Exército Português.

 

Dirige a Banda de Música da Sociedade Filarmónica Palmelense "Loureiros" desde Maio de 2010.

Izidoro Oliveira Silva

Para além dos maestros da Banda, outros têm também lugar nesta galeria por, com o seu esforço e dedicação, terem ajudado a construir a Sociedade dos Loureiros e a contribuir para a sua grandeza.Com efeito, as actividades do teatro musicado e o Grupo Coral deram origem à apresentação de responsáveis artísticos que contribuíram com trabalho e entrega para aquilo que a Sociedade hoje é.Izidoro de Oliveira foi durante muitos anos director de orquestras que acompanharam operetas e revistas de cujas músicas foi também compositor, como se descreve no capítulo “Actividade Teatral”. Iniciando-se em 1944 com a criação da “Orquestra Tropical”, Manuel Sequeira da Costa Paula foi maestro de orquestras de dança e de variedades que deram vida à Sociedade. Episodicamente, foi por vezes substituído por Sérgio Ferreira, Carlos Pinto e Humberto Biu, que regeu também episodicamente, quer a Banda, quer o Grupo Coral (adulto) e o Grupo Coral Infantil. Mais recentemente, Jorge Salgueiro e Nuno Baião dirigiram orquestras de variedades e orquestras juvenis.    

 

Sequeira Paula Sérgio Ferreira Carlos Pinto

Humberto Biu

Jorge Salgueiro

Nuno Baião

 

 

 

 

 

 

 

 

No concerto comemorativo do 150º aniversário, o maestro Jorge Salgueiro, dirigiu a solista vocal Isabel Biu, o Coro e a Banda na peça “Ode a Euterpe” que compôs, sobre poema de António Correia, e ofereceu à Sociedade.

 

O Grupo Coral foi dirigido, desde a sua fundação até Abril de 1974, por José Eduardo Ferreira, tendo, nesse ano, a Maria Cândida Borges assumido a direcção do Grupo.

 

Maria Cândida Borges A “Candinha”, como familiarmente é conhecida na Sociedade e em Palmela, desde muito nova foi iniciada nas actividades dos Loureiros por seu Pai, o incontornável Lúcio Borges da Costa. Neta de outra grande figura Loureira, o Senhor Manuel Joaquim da Costa, a Maria Cândida fez estudos musicais com a sua madrinha, a Senhora D. Maria José Borges de Carvalho, distinta pianista palmelense, discípula da grande figura da música portuguesa que foi José Viana da Mota, prosseguindo-os no Conservatório Nacional de Música onde cursou Piano e Composição. Obteve formação em direcção coral, através da frequência de cursos específicos, tendo aperfeiçoado e actualizado a sua competência na regência de coros em múltiplos cursos intensivos, orientados por maestros nacionais e estrangeiros. Agostinho Quental

Dirigiu ainda um coro infantil na nossa Sociedade. O seu trabalho no Grupo Coral reflecte a sua personalidade, e a sua alma de artista permite que, dentro das suas possibilidades, o Grupo tenha apresentações de grande qualidade. Sublinha-se que, como outros Loureiros de coração, a Maestrina Maria Cândida jamais recebeu qualquer remuneração pelo seu trabalho, a não ser os aplausos com que aquele é reconhecido para honra e glória dos Loureiros.

Em algumas situações, foi substituída por Humberto Biu e Agostinho Quental. Dirigiu o Grupo Coral dos Loureiros até Novembro de 2003.

Luis Pedro Faro O Coro Loureiros – Grupo Coral da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros” foi dirigido pelo Maestro Luís Pedro Faro até Fevereiro de 2007. Tendo frequentado o 4º ano do curso de engenharia electrotécnica do IST, optou pela música. Estudou direcção polifónica, canto gregoriano, composição, paleografia e análise musical, como instrumentista estudou guitarra clássica, percussão, flauta de bisel e flauta transversal. Frequentou simultaneamente cursos de interpretação de música renascentista, música barroca e etnomusicologia africana. A sua actividade profissional abarca composição, arranjo, orquestração, direcção coral e técnica vocal.

Compôs obras para grupos de teatro: A Barraca, Comuna, 0 Bando. Fez arranjos e orquestrações de diversos autores em Portugal e Espanha. Dirigiu diversos coros: lncrivel Almadense, Juventude Musical Portuguesa, Coro de Lagos, Coro de Portimão, da Universidade Técnica de Lisboa. Para Além de se ter dedicado a trabalhos etnográficos de recolha foi professor de técnica vocal nos grupos de teatro de Campolide, Comuna, O Bando e cursos de formação de actores. Dá aulas de técnica vocal, dirige o Coro ComSonante na Sociedade Filarmónica de Recreio Artística Amadorense (Amadora), o coro do Bairro 6 de Maio (Damaia) e o Coro da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros” (Palmela).

Actualmente o Grupo Coral dos Loureiros é dirigido por Filipa Palhares.

Filipa Palhares

Filipa Palhares iniciou os estudos musicais aos 9 anos no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde estudou até 1990. Nesse ano, ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa, onde obteve a licenciatura em Direcção Coral. Nesta escola estudou com Cristopher Bochmann, Antoine Sibertin-Blanc, Roberto Perez, Luís Madureira, Gerhard Doderer, Cremilde Rosado Fernandes e Vasco Azevedo. Frequentou cursos de direcção coral com Bernard Tétu (Lyon) Herbert Breuer (Hamburgo) e José António Sainz Alfaro (San Sebastian). Em 1995/96 e 97 estudou com Max von Egmond, Marius Altena (canto) e Jacques Ogg (cravo) nos cursos de Música Barroca da Casa de Mateus. Frequentou em 98/99, o curso de aperfeiçoamento artístico em Direcção Coral no Real Conservatório Superior de Musica de Madrid, com Adrián Cobo. Iniciou a sua actividade docente em 1990, leccionando as disciplinas de Coro e Formação Musical, assim como Música para bailarinos. Foi professora na Academia de Amadores de Música, na Academia de Música de Santa Cecília e na Academia de Dança Contemporânea de Setúbal, leccionando desde 1994 no Conservatório Regional de Setúbal, onde exerceu o cargo de Directora Pedagógica e, desde 2006, no Instituto Gregoriano de Lisboa.

Foram todas estas pessoas que, com trabalho e dedicação nas funções que lhes estavam entregues, contribuíram para que a Sociedade dos Loureiros seja o que é!

Cada vez mais culturalmente válida e socialmente útil!

 
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